Sobreviveu a um parto prematuro duplo, no início dos anos 50 na capital, fez toda a sua infância e parte da adolescência numa Lisboa que já não existe: O bairro da Encarnação com os Olivais como parque de brincadeira (hoje substituídos por prédios, então realmente olival com oliveiras) e contacto com a Natureza dos bichos e das coisas. A sua formação è de carácter técnico-cientíCco, mas desde sempre se revelou incapaz de se concentrar num só assunto, cedo se perdeu por outros campos, entre eles a poesia portuguesa como leitor, e depressa se apaixonou por essa forma de expressão. Começou a escrevinhar em verso no declínio dos anos 60, por brincadeira (e alguma necessidade interior), e desde então tem continuado, ainda sem se cansar de o fazer. Nos anos 70 constituiu a família, que ainda hoje guarda de alma e coração por teimosia, por incapacidade, ou por vontade, apesar das tentações e das vicissitudes desta vida. Por ter sido incorporado no exército nessa altura, participou no 'Processo Revolucionário em Curso', com os golpes e contra golpes inerentes, até ao fim do curso, já em 76.
Por razões de incompatibilidade salário / trabalho saiu do país no início dos anos 90, para abraçar o sonho Europeu numa carreira de funcionário, numa área técnica. Por esse motivo fez um quase interregno de alguns anos nos versos, ao ter dedicado o seu esforço de escriba a relatórios técnicos em Inglês (à razão de um a dois por semana), que devem estar convenientemente arquivados. Mudou de actividade (e de país) no fim de 2004, entre outros motivos, para estar mais tempo com a família, e poder de novo gatafunhar mais amiúde. Esta é a sua primeira colectânea, feita de raiz e organizada em torno de um só tema.
Janeiro de 2008.Contém palavrões – Leitura reservada a adultos
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